
Eu sou do tempo em que brincadeira de criança era bolinha de gude, pipa, béti, carrinho (no máximo de flexão), brincar com terra, subir em árvore, pular corda, pique esconde, pique altura, pique pega, pique bandeira, pique cola, futebol descalço na rua ou no campinho de terra, três cortes, queimada, vôlei na rua com rede de barbante, apostar corridas tanto a pé como de bicicleta, passa anel, adedanha, amarelinha, cabra-cega, pular carniça, estátua, morto-vivo, cabo de guerra, pular eslástico, barbante invisível, carrinho de rolimã, jogar pião, colecionar figurinhas, bater bafinho, desenhar, chicotinho queimado e assim por diante.
Eu sou do tempo em que iogurte era coisa rara dentro de casa, lanche na rua era no máximo uma vez por mês, domingo era dia de maionese e frango assado, churrasco só em datas especiais (e olhe lá!), bolo de aniversário era o mais simples da Doceria Brasil, almoço ou janta era a família toda junta, o que se coloca no prato pra comer se comia, Nescau ou Toddynho era coisa rara também, merenda na escola eu levava de casa, bala e doce coisa rara também, chiclete então nem se fala, refrigerante só no domingo, durante a semana copo de água, raramente suco, café da manhã ou da tarde era só pão com margarina e café, nada de presunto e mussarela e por aí vai.
Eu sou do tempo em que pai e mãe só de olhar chamavam atenção, castigo era ficar sentado na mesa o dia todo, secar a louça do almoço era dever dos filhos, banho era contado pra economizar energia elétrica, chinelo havaina quando arrebentava coloca um arame ou um prego atravessado pra usar por mais um tempo, tênis era um por ano ou no Natal ou no dia do aniversário, pneu da bicicleta quando furava fica seis meses parado, vídeo-game era só nas férias, computador... computador eu fui ter com quase treze anos, dez horas da noite era hora de dormir (salvo quando passava algum filme bom na Tela-Quente), aparelho de DVD não existia na minha casa muito menos de VHS, toca CD também não, o que tinha era um rádio de vinil com vários discos o mais lembrado era o da Tetê Spindola (nem sei se escreve assim), roupa era a mãe que escolhia, lápis de cor era a caixinha com no máximo doze cores que se acabasse antes do final do ano ficava sem, ‘palavrão’ era um absurdo dentro de casa...e por aí vai.
Hoje em dia, criança de cinco anos já é viciada em computador e vídeo-game, almoça na frente da televisão, deixa comida no prato, café da manha é quase uma ceia de Natal, castigo é ficar sem ver televisão ou entrar na internet, os pais em sua maioria são domados pelos filhos, palavrão é coisa normal, roupas só vestem de marca, tênis e pelo menos três (por aniversário), o dinheiro da merenda no final do mês é quase meio salário mínimo, isso fora a ‘mesada’, chiclete é acessório indispensável, refrigerante é coisa fútil, água...que água o que.
E por aí vai...
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