sábado, 4 de junho de 2011

do tempo em que...


Eu sou do tempo em que brincadeira de criança era bolinha de gude, pipa, béti, carrinho (no máximo de flexão), brincar com terra, subir em árvore, pular corda, pique esconde, pique altura, pique pega, pique bandeira, pique cola, futebol descalço na rua ou no campinho de terra, três cortes, queimada, vôlei na rua com rede de barbante, apostar corridas tanto a pé como de bicicleta, passa anel, adedanha, amarelinha, cabra-cega, pular carniça, estátua, morto-vivo, cabo de guerra, pular eslástico, barbante invisível, carrinho de rolimã, jogar pião, colecionar figurinhas, bater bafinho, desenhar, chicotinho queimado e assim por diante.


Eu sou do tempo em que iogurte era coisa rara dentro de casa, lanche na rua era no máximo uma vez por mês, domingo era dia de maionese e frango assado, churrasco só em datas especiais (e olhe lá!), bolo de aniversário era o mais simples da Doceria Brasil, almoço ou janta era a família toda junta, o que se coloca no prato pra comer se comia, Nescau ou Toddynho era coisa rara também, merenda na escola eu levava de casa, bala e doce coisa rara também, chiclete então nem se fala, refrigerante só no domingo, durante a semana copo de água, raramente suco, café da manhã ou da tarde era só pão com margarina e café, nada de presunto e mussarela e por aí vai.

Eu sou do tempo em que pai e mãe só de olhar chamavam atenção, castigo era ficar sentado na mesa o dia todo, secar a louça do almoço era dever dos filhos, banho era contado pra economizar energia elétrica, chinelo havaina quando arrebentava coloca um arame ou um prego atravessado pra usar por mais um tempo, tênis era um por ano ou no Natal ou no dia do aniversário, pneu da bicicleta quando furava fica seis meses parado, vídeo-game era só nas férias, computador... computador eu fui ter com quase treze anos, dez horas da noite era hora de dormir (salvo quando passava algum filme bom na Tela-Quente), aparelho de DVD não existia na minha casa muito menos de VHS, toca CD também não, o que tinha era um rádio de vinil com vários discos o mais lembrado era o da Tetê Spindola (nem sei se escreve assim), roupa era a mãe que escolhia, lápis de cor era a caixinha com no máximo doze cores que se acabasse antes do final do ano ficava sem, ‘palavrão’ era um absurdo dentro de casa...e por aí vai.

Hoje em dia, criança de cinco anos já é viciada em computador e vídeo-game, almoça na frente da televisão, deixa comida no prato, café da manha é quase uma ceia de Natal, castigo é ficar sem ver televisão ou entrar na internet, os pais em sua maioria são domados pelos filhos, palavrão é coisa normal, roupas só vestem de marca, tênis e pelo menos três (por aniversário), o dinheiro da merenda no final do mês é quase meio salário mínimo, isso fora a ‘mesada’, chiclete é acessório indispensável, refrigerante é coisa fútil, água...que água o que.

E por aí vai...

terça-feira, 24 de maio de 2011

Um turbilhão de coisas que nem eu sei expressar e muito menos lidar.


Vinte anos de idade e as únicas coisas que eu tenho de valor são meus pais, minha namorada e alguns amigos. Ultimamente perdi a vontade de praticamente tudo, sair, beber, etc. O motivo? Nem eu sei explicar... Me incomodo por não ter carro, moto ou casa própria, mas ao mesmo tempo eu não tenho disposição pra deixar de fazer ou comprar algo pra economizar e conquistar coisas do tipo, mas isso tem me subido tanto a cabeça que eu acabei por parar de aproveitar.


Não sei se a minha tristeza vem daí. Pra quem fica junto comigo uma ou duas horas não parece que esta acontecendo nada, mas se eu conseguisse mostrar o turbilhão que esta acontecendo dentro da minha cabeça, muita gente ia se assustar.

Enfim, é isso, talvez isso não seja nada, mas até que eu prove o contrario, está me fazendo mal.

terça-feira, 12 de abril de 2011

quarta-feira, 9 de março de 2011

Um filme intrigante, assustador, mas que me despertou grande curiosidade.

Criado dentro da igreja católica desde pequeno, a única coisa que nunca fui é ‘coroinha’, no mais, participava de tudo. De uns três anos pra cá, quase não vou à igreja, pouco rezo em casa e se surge alguma discussão sobre religião, fico quieto na minha, tenho medo de assustar alguém com o que eu penso. Hoje assisti a um filme no cinema “O Ritual”, e to com aquele filme na minha cabeça até agora. Um personagem totalmente descrente, totalmente cético e por um momento eu me vi no personagem. A diferença é que eu não desacredito de Deus, tenho muito temor a ele, porém não sei em qual religião me identifico, não sei nem se existe uma religião pra mim. Não acredito em espíritos, apesar de às vezes me impressionar com certas histórias, não acredito em possessões demoníacas apesar de já ter ouvido muitas histórias. Com as histórias de possessões eu não me senti muito bem, mas as de espíritos, de ‘fantasmas’ eu as acho interessante. Confesso que algumas coisas me assustam no primeiro momento, mas depois é como se nada tivesse acontecido.

Tenho medo de acontecer alguma coisa por duvidar às vezes de certos acontecimentos, certos fatos, levando ao pé da letra, por ser um tanto quanto cético, mas ao mesmo tempo não consigo deixar de questionar certas coisas. No texto que escrevi sobre religião eu deixei bem claro que acredito em Deus, mas não confio no ‘povo de Deus’, o motivo é bem simples, por ter sido criado dentro da igreja, eu vi tudo o que acontece e vi que uma grande porcentagem das pessoas que vão à igreja não estão buscando ‘só’ Deus, rezam em troca de alguma coisa, ajudam em troca de aparecer para os outros, querem os cargos dentro da igreja pra poder mandar, ser superior ou até mesmo para praticar seus atos fúteis pra beneficio próprio. É simplesmente isso que me fez tomar desgosto por ir à igreja.

No filme o personagem só passa a acreditar tanto no demônio quanto em Deus quando ele se depara com uma situação extrema de provação. Espero profundamente não ter que passar por isso, mas desacredito nos malefícios que tantas pessoas dizem ser causados por demônios. Eles podem até existir, mas não em mim, não perto de mim...




Daniel Ruffo

Juiz de Fora, 10 de Março de 2011, 01:34 AM.